Qualquer organização, em abstracto, envolve sempre a assunção de um compromisso, tornando-se este, a palavra-chave quando falamos de qualquer coisa que desejamos ser sustentável. E uma organização não tem de ser, necessariamente, uma empresa, como sabem.
Mas falemos delas…sim, das empresas, também era um bocado aversa a este “enquadramento”, mas eduquei-me para perceber que são elas que nos proporcionam serviços indispensáveis.
As empresas fornecem bens e serviços à população. Falar de empresas é comummente percebido por gerir riqueza, fazer negócio, é, em suma, obter poder económico. Há como que uma distância enorme entre o empresário e o consumidor. E será mesmo assim? É, e apesar de se estar imbuído deste pensamento, verifica-se que, cada vez mais, estes “extremos” se aproximam, fruto de uma gradual paideia, que é desejável que se instale definitivamente. Não obstante, esta alteração de mentalidade, comportamento e cultura não surge de um dia para o outro, apesar de já se terem dado os primeiros passos. Senão vejamos: apesar de estarmos numa sociedade civil parca em recursos interpretativos, percebe-se que grande parte já não se acomoda e tenta desempenhar um papel mais activo, como implicado, como stakeholder que é, em todo o sistema produtivo. E esta acomodação também começa a desaparecer em muitas empresas onde predominava a visão exclusiva do lucro. É naturalmente impróprio que não se exclua desta observação todos aqueles que em quaisquer circunstâncias já assumiram o compromisso: um compromisso consigo próprios, com os outros e com a Terra.
Somos todos convocados a olhar para este compromisso que é transversal à sociedade, à economia, ao ambiente. Já existem sinais mais do que evidentes para começar a contrariar essa tendência, cuja continuação levaria à ultrapassagem da resiliência de qualquer material humano/ambiental; o tão usual stress nas pessoas não reflecte senão essa meta que foi ultrapassada.
E a Terra, também ela poderá entrar em stress? Claro que sim! Mas o nosso egocentrismo, também ele terá de ser redireccionado…geocentrismo.
São os países desenvolvidos que estarão nesta linha de batalha; os países subdesenvolvidos têm outras preocupações, sobejas e infelizmente diferentes.
Quando se fala hoje de Desenvolvimento Sustentável (DS), ouve-se com bastante frequência tratar-se de uma moda. Foi em 1971 que se abordou, pela primeira vez, esta noção. Entre o século XIX e o século XX, a população quadruplicou e os recursos naturais não aumentaram. O desenvolvimento económico crescia, negligenciando o início do esgotamento dos recursos naturais. E é efectivamente, no Relatório de Brundtland – O Nosso Futuro Comum (ONU, 1987) que se diz acerca do DS como sendo “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.”.
É dever de todos zelar pelo que herdámos e deixá-lo nas melhores condições para as gerações vindouras. Não se trata, com efeito, de uma moda, mas de um compromisso que envolve pessoas e processos.
O ar que respiramos não se compadece com a exclusividade nem com a rivalidade, como outro bem qualquer de que somos detentores em nossa casa.
Qual o contributo que cada um está disposto a dar para um melhor ambiente? Qual o preço? Qual o benefício?
A reciclagem, por si só, já não faz a diferença. Há necessidade de adoptar outros comportamentos.
A missão não é a utopia de anular definitivamente a poluição, isso até seria nefasto, mas diminuir substancialmente, a sua produção.
Qualquer produto que adquirimos tem um ciclo de vida, desde a sua concepção até à sua extinção. E nós temos que nos habituar a esse olhar faseado, que num instante, se torna num hábito saudável agora e para o futuro. Ainda acerca do produto, teremos ou não de saber em que condições foi feito (se por mão de obra infantil ou não), se a sua produção provocou algum impacte nefasto na natureza (externalidade negativa) e se no fim do seu ciclo de vida, no produto ainda estão asseguradas as condições da sua extinção, em termos ambientais. Toda e qualquer empresa deverá assumir o compromisso de internalizar as externalidades, ou seja, terá que assumir os custos dos impactos negativos que provocar no exterior. Aqui as empresas têm de se aperfeiçoar, ou seja, têm que diminuir os custos de controlo de poluição para não perderem competitividade e manterem-se no mercado. Há, contudo, para além destas, práticas empresariais que provocam externalidades positivas; veja-se o exemplo de criação de creches junto dos postos de trabalho; o raciocínio aqui é simples e sensato, mães ou pais trabalhadores estarão seguramente mais motivados se os seus filhos estiverem bem. Inovações como esta parecem-nos tiradas da cartola. É pura responsabilidade social, ética empresarial, aquilo que se identifica com o sustentável numa perspectiva visionária.
Anteriormente falámos dos países subdesenvolvidos, e aqui mais uma vez, estas práticas não resultam da caridade, misericórdia ou filantropia, antes estão na linha do desenvolvimento sustentável. Empresa que esteja nesta rota, assume o compromisso permanente de só querer e só poder mesmo evoluir.
E os custos que isso implica? Ainda nos interrogamos muito acerca de um tema que não tem sentido. A questão tem de ser reformulada em termos de custos e benefícios. O caso das Mães de Bangladesh é testemunho vivo que os seres humanos, com muito pouco (neste caso micro crédito/empresa Danonne) erguem auto-estima e o desenvolvimento decorre naturalmente.
Este compromisso nutre-se do contributo de todos, e para isso, a visão holística só se consegue com o contributo de todas as disciplinas, no fundo, com a epistéme.
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(contínuo)